quarta-feira, 21 de abril de 2010
Você é especial pra mim
"Para mim você é jornal de ontem, já li, já li, não quero mais...". É assim que eu vejo todas as minhas histórias de amor, que são tão intensas, tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Ouvi na novela um casal conversando sobre relação, onde o marido disse "Dá pra ser feliz no silêncio Ingrid, barulho nunca foi sinônimo de Felicidade" e ela voltou "você sabe a que silêncio estou me referindo né? O silêncio daqui do peito, do coração". Hoje fiquei sabendo que meu ex-noivo-quase-oficial agora está noivo oficialmente. E foi ele mesmo quem me contou, e doeu mais do que eu pensei que doeria. Sim, chorei copisoamente, sozinha, em casa. Faz cinco anos que eu não sei o que é dizer que "estou namorando", melhor, que eu não sei o que é olhar nos olhos intensamente e poder dizer com toda a sinceridade "eu te amo". Acho que a coisa toda ficou tão prática, os romances tão rápidos, os términos tão frequentes, que eu perdi essa "aura romântica", talvez até mesmo a possibilidade de, de fato, ter algo real e que ultrapasse o mês ou que ultrapasse a coisa do a gente-sai e a gente-volta sem nenhum propósito. Hoje um amigo, curiosamente, veio me visitar. É um amigo antigo, de infância, que ao perguntar sobre minha tumultuada vida amorosa viu meu rosto baixar e simplesmente dizer "já deisisti disso". Ele riu com aquele sorriso que eu conheço há mais de 10 anos e disse "é que você escolhe muito ou então o cara tem que ser exótico pra te chamar ateñção. Se for comum, não vai". Eu ri de uma forma gostosa e retornei "nada! Já até baixei meu nível de exigência. O negócio é que eu cansei de ouvir 'você é especial' e terminar comigo pra ficar com outra". Ele riu novamente e disse que havia terminado com suas duas exs da mesma forma...Homens. Tão diferentes e tão iguais. E o que eu ouvi hoje do meu enrolado-que-não-é-namorado? "Você é muito especial pra mim". Acho que qualquer pessoa no meu lugar ficaria feliz, mas dadas as circunstâncias, eu fiquei triste e chorei no ombro dele. Apesar dele não ter percebido. É como um sinal sabe? Um sinal de Deus dizendo "você já sabe como isso vai acabar, então termine enquanto há tempo". Conversamos bastante, beijamos mais ainda, mas foi só. Não estou 100% nem ele, somos duas pessoas feridas buscando um pouco de ar puro e aconchego um no outro. Nada mais. Não há amor, mas também não há mentira. Somos práticos. Enquanto isso, minhas amigas estão se casando ou já se casaram, uma se separou e descobriu a vida viajando para vários lugares. Outra decidiu seguir só e entrou de cabeça no trabalho com um sorriso de quem vive plenamente e com a pose de autossuficiência - a mesma que eu tive um dia e ainda mantenho às vezes, mas que já começa a me incomodar. O que eu quero é muito simples: alguém pra chamar de meu, alguém para andar de mãos dadas, para ir comigo à confraternizações de trabalho, para ver um filme no fim de semana, alguém para compartilhar momentos...é pouco e é tudo.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Ordem, a palavra de ordem.
O que eu fiz sábado? Acordei às 11h30 (ou seja: não levei meu jipe na Fibrauto para consertar a porta e o barulho esquisito do motor), depois fui a para a aula de inglês que começaria às 13h00. Ao chegar lá não tinha retorno e fiquei doida procurando vaga para o carro, pensei em um segundo "tem 15min de tolerância" e corri, corri. Cheguei exatamente 13h12. Aí a moça da recepção disse que não podia entrar. Fiquei puta de raiva, falei dos 15 minutos de tolerância e ela disse "São 10 minutos". Aí acabei indo ao financeiro resolver minhas pendências: sim, uma parcela estava em aberto. E depois de 6 meses pagando o curso eu ainda estava tentando fazer o capítulo 2, tendo levado prejuízo de R$ 730,00. Ainda bem que consegui que me dessem parte do tempo em bonificação posterior, ufa! Depois fui ao shopping e fiquei lá lendo, lendo, lendo, até que "percebi" que havia esquecido o curso caríssimo que havia pago de Comunicação e Oratória. Então peguei o endereço e estava lá: Cidade Jardim. Onde fica isso? Faltava meia hora para acabar o curso, ou seja: era LÓGICO que não ia dar tempo de fazer nada - principalmente porque eu não sou lá um GPS ou Google Earth em endereços. Continuei lendo, lendo, lendo até que "percebi" que estava atrasada para o cais. Saí toda apavorada, peguei os livros escolhidos e fui pagar. Constrangimento nº1 do dia: não havia saldo. Reservei os livros, falei que voltaria no outro dia. Cheguei ao cais atrasadíssima e de repente "percebi" que havia esquecido meu estojo amarelo em cima da pilha de livros que eu havia parado para dar uma olhada por cima. Peguei meu travesseiro e uma coberta e sem vergonha nenhuma dormi em cima da mesa, literalmente. Dormi sentada debruçada sobre a mesa do cais, vejam a que ponto um ser humano chega. Tive dó de mim quando acordei ao chegar um paciente com cólica de rim. E eu ali meio atordoada preenchendo a ficha. Constrangimento nº2: coloquei na data 04/10/2010 quando na verdade era 10/04/2010. Normal para quem vive trocando dias, horários e nomes de pessoas. Voltei para casa e "percebi" que esqueci de devolver o DVD de quinta e é claro: levei multa, só que o mocinho já está tão acostumado que só cobrou de um dia. Paguei a faculdade dois meses, porque um dos "pagamentos" na verdade era um "agendamento de pagamento" por falta de saldo na conta bancária. Paguei duas contas de celular porque um dos "pagamentos" na verdade eu paguei duas vezes, ou seja: um mês ficou em aberto e minha conta foi cortada assim como o reconhecimento de chamadas. As pessoas ligavam e eu não tinha a mínimaaaaaaa ideia de quem era. Domingo eu tive um dia fantástico, mas que deletou todos os compromissos pré-agendados para o dia. Prova de que preciso REALMENTE ser mais dura comigo mesma. Tá foda...Enfim, tudo este mês foi um grande tumulto. Inventei uma moda nova agora, porque sempre que estou dirigindo me lembro de mil compromissos e completamente diferentes uns dos outros, pessoais, profissionais, urgentes, importantes, urgentes e importantes ao mesmo tempo.Uma loucura! E eu fico lá fazendo brainstorm de compromissos sozinha e tentando repetir cada tarefa para não esquecer, chegar em algum lugar e anotar para "perceber" depois de que não tenho a mínimaaaaaaa ideia de onde está o maldito papel. Então eu penso: Tenho que comprar papéis grandes! Mas aí eu faço uma bagunça tão grande, mas tão grande que perco muitos minutos tentando entender cada tarefa e adivinhem? Passando para um papel menor. Nunca dá certo. Como nunca dá certo fazer planilhas, listas de coisas a fazer, essas coisas. Comprei um caderno, mas também não está adiantando. Ah, estava falando da moda que inventei agora, então voltando: é GRAVAR tudo o que vou pensando aleatoriamente,essa déie de insights diários de compromissos não resolvidos, que estão atrasados, esquecidos ou deixados de lado. Gente, foi muitoooooo engraçado ouvir eu mesma dizendo "Hoje Thâmara é seu primeiro dia de uma nova vida. Uma vida de ordem, disciplina e rotina. Porque você não quer mais os prejuízos que tem tido por conta de toda essa confusão, então vamos aos compromissos de hoje..." kkkkkkkkkkkkkk fiquei rindo sozinha e meu chefe ficou me olhando de rabo-de-olho ao perceber que eu não tirava o celular do ouvido. Sim, usei o gravador do celular. Mas sabe que eu gostei da minha voz? Me senti meio Cid Moreira dizendo como "elevar sua autoestima" em meio a uma trilha instrumental calma ou sei lá, alguma parte de um livro do Augusto Cury. Mas assim, também não funcionou muito, mas acho que preciso testar mais uns dias né? Vai que me deu um pânico hoje? Com tanta informação era de dar um curto mesmo entre minhas sinapses! Ou pelo menos uma descarga elétrica capaz de paralisar meus músculos e fazer meu cérebro ter um "branco" igual aqueles que a gente tem depois de estudar, estudar e estudar e na hora da prova fazer cara de "Meu Deus!", de desespero total porque não se lembra absolutamente nada. Aí você entrega a prova e tchã-rã, um filme se passa na sua cabeça e você lembra de tudo! Merda, merda, merda. Mil vezes merda. Aliás, por falar em livros, comprei um que se chama "A sabedoria da Tartaruga. Sem pressa, mas em pausa" de José Luis Trechera. Atrás do livro vem escrito, eis o motivo de tê-lo comprado: "você é do tipo que não tem paciência de esperar o elevador (esmurro mesmo se ele não desce), balança a perna (o tempo todo), e fica simplesmente furioso quando uma página na internet, por mais rápida que seja, demora um pouco para aparecer (por isso que abro mil janelas ao mesmo tempo)? Você foi infectado pelo vírus da pressa. A sensação é de que não temos tempo a perder, mas se você desacelerar vai perceber que ao viver sempre correndo perde coisas bem mais valiosas que o tempo. É hora de colocar o pé no freio e respeitar o seu próprio ritmo. Ser lento não tem nada a ver com ser inefeciente. A sabedoria da tartaruga é justamente viver sem pressa, mas sem pausa". Ué, esse livro está falando de mim! - Pensei. E na orelha "estressadas, impacientes e semre apressadas, as pessoas hoje falam de carreira, dinheiro e várias outras ambições que as impulsionam em sua vida desenfreada. É raro, porém, que se permitam confessar o sonho as surpreende em sua corrida diária: a vontade de, simplesmente, ter uma vida mais tranquila, com mais tempo livre e menos afazeres". Quase chorei, me deu até certa melancolia pensando na Paula Toller "eu só queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde ra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer...". Comprei na hora até que "percebi" que eu estava atrasada em meio a tantas histórias, tantos livros legais sobre marketing, consumidor, TDAH e orgasmo. Sim, isso mesmo: orgasmo. Na verdade, vários deles, múltiplos, tântricos e até excêntricos. Olhar profundamente em um olho e depois no outro faz o cara ter vontade de beijar e pensar em sexo 6 vezes por minuto, será? Bom, tenho que testar...rs Fui fazer meu exercício de análise de PDV e tchã-rã, adivinhem? acertaram! Não deu tempo. Voltei pra casa e agora estou aqui. Ahhhhhhh descobriram meu blog no meu serviço, e agora??!!! Estou desesperada!!! E torcendo para que eles tenham um "TDA dentro deles" e esqueçam C-O-M-P-L-E-T-A-M-E-N-T-E desta informação. Vou trocar meu nome verdadeiro por um pseudônimo (ai que chique! me senti meio detetive e meio espiã a La Sherlock Holmes uhuwwww). No names is better my dear! Take care and a lotttttttt of kisses to everybody! Portanto, senhores, só mais uma coisa, hoje a palavra de ordem nessa bagunça toda, nessa desordenada louca vida vida louca é ORDEM!Estou começando a tentar criar hábitos (pelo menos tentando, já é um começo né? Palmas pra mim! rs) e a inventar regras para acabar com o mal estar que tenho cada vez que vejo me dou conta do meu saldo bancário ou então chego atrasada ou então...o que eu estava falando mesmo? Bom, é isso. Pero que "eis que endurecer, mas perder la ternura jamás!" Che! :)
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Ressignificação de sentidos
Bom, meu aniversário foi melhor do que eu esperava, mas não parecia assim...o meu aniversário. Marcelli ligou da França, Buhzinha ligou do Tocantins, Chris ligou do celular mesmo mas estava desligado kkkkkkkkkk e Lyne esqueceu, mas eu perdoo. Não usei meu vestido amarelo e ganhei um parabéns caloroso no meu trabalho. Também um e-mail de reconhecimento, que me fez chorar. Foi um dia que ao invés de começar, terminou com a reunião no shopping. Muito boa por sinal. Cheguei em casa, fiz o TCC da minha mãe e fui dormir. Simples assim. Consegui organizar um pouco minhas um milhão de pendências, estou menos depressiva e voltando a usar colares coloridas. E isso é um bom sinal. Tive minhas duas primeiras sessões de terapia: uma com abordagem cognitivo-comportamental e outra por gestalt - que nunca tinha ouvido falar. Cheguei à primeira, uma casa suja, cheirando a mofo com papéis e vassouras jogadas pelo chão. Tudo atrás de um muro amarelo e azul desbotados de uma casa que não lembrava nem de longe um consultório. Então eu pensei: como é que uma psicóloga vai me ensinar de organização sendo desorganizada desse jeito? Perto daquilo a bagunça do meu quarto me deu prazer, até a bíblia tinha uma camada espessa de sujeira antiga (que nojo). Depois entrei na "sala", parecia filme de terror: coisas esparramadas, desenhos de crianças nas paredes, brinquedos de todas as cores. Ela, uma senhora de meia-idade com vestido tubinho preto pedindo desculpas. E tem desculpa pra isso?!? Enfim...conversa vai e conversa vem, peguei uma referência fantástica de livro para quem tem TDAH, e ela me sugeiu duas coisas: respirar de 30 em 30 minutos durante 4 dias, não me cobrar tanto e mudar meu vocabulário a respeito de reforço das minhas dificuldades. Exemplo: não falar "não tenho memória" ou "esqueci". Depois de tudo tive somente uma certeza: nunca mais voltaria ali. Como que alguém que tem TDAH vai lembrar de fazer respiração de 30 em 30 minutos e pior, durante 4 dias??! Meu Deus, que eu faço com esses terapeutas, interno? Enfim, a segunda foi exatamente o contrário. Consultório com fachada, logomarca, secretária, ar condicionado, cores claras. Ela, a terapeuta, bem vestida, de sorriso largo e aberto à minha espera. Entrei no consultório e nem pude acreditar: sofá de couro branco para sentar e para deitar, bem tipicamente psicanalítico. Sentei e falei, falei, falei, sem muita lógica e nossa conversa durou 2 horas. Amei, fiquei encantada. A tarefa da semana? pensar se a minha dificuldade não está em "lidar com o lento" porque o lento me angustia. Há uma parte muito rápida e outra muito devagar, sendo que esta deve ser percebida de outra forma - é o que ela chama de "ressignificar". Achei muito interessante e a próxima conversa é na quarta às 8h00em ponto, será que consigo? Horários...Estou lidando melhor com a equipe, não quero parecer uma pessoa arrogante ou agressiva, nem esquecer tantos compromissos e pior, não concluir meus projetos. Não quero oscilar tanto de humor e falar tanto e interromper tanto. Quero estabilidade, confiar em mim mesma e resgatar o ritmo que vai desacelerar tantos pensamentos e dar o equilíbrio que estou buscando. Não é a falta de ideias que me angustia, é o excesso delas. É o não saber lidar com coisas lógicas, ordenadas e regradas; é a falta de estrutura e de linearidade que me deixam frustrada, me sentindo perdida e um vazio que parece não ter fim. É como se o muito ainda fosse pouco e não conseguisse enxergar o pouco, somente o todo. É complexo, eu sei. Preciso lidar com ideias e planilhas. É isso. Aliás, com sentimentos que surgem do nada também. Até pouco tempo era meu sapo-príncipe, então mudei para um jipeiro ex-casado que não me assume e agora um outro jipeiro se mostra interessado e eu não sei o que fazer. Até nisso há uma grande dose de indecisão, de angústia, de culpa, de um desejo incontrolável pelo risco, pela adrenalina no corpo. Uma autoconfusão absurda e que eu não consigo lidar, nem resolver.Enfim, vamos ver né? Respirar, ressignificar, controlar.
terça-feira, 30 de março de 2010
Parabéns pra mim
Hoje estou aqui para contar as novidades aos meus leitores anônimos, sei que são muitos, mas são tímidos e preferem não se identificar rss Pra começar o príncipe que na verdade era um sapo enviou um recado e a resposta que eu tanto busquei se resumiu a interesses profissionais. Aí resolvi fazer um curso, tô lá empolgadíssima tentando esquecer essa confusão e quando vou assinar meu nome na lista de presença, qual nome está lá? Pasmem: o dele. O mundo é realmente muito pequeno. Tive que ir ao banheiro de tão nervosa que fiquei, mas depois de vê-lo o encanto e a admiração já não me pareciam tão grandes. Meu chefe o cumprimentou e ele fez o mesmo, tanto para ele quanto para mim (relações comerciais, acredito eu). Hoje o vi novamente, não houve cumprimentos dessa vez. Achei ele tão sedutor, tão misterioso indo em direção ao jipe prata. Enfim...é só mais um projeto incompleto. Levei uma bronca enorme do meu chefe porque deixei acumular uma série de pendências e estou tentando encontrar um jeito de me relacionar melhor com a equipe. Marquei, desmarquei e remarquei todos os meus médicos e milhares de compromissos pessoais. Estou me autosabotando, que triste, que vergonha. Daqui a pouco é meu aniversário, talvez seja o aniversário mais solitário da minha vida. Allyne e Chris como amigas, sem namorado e sem nenhuma vontade de fazer algo. É estranho lembrar de algumas festas, de tantas alegrias, de tantos brigadeiros roubados. Depois das surpresas de quando era adolescente, das loucuras que fazíamos, de tantas conversas na casa da Marcelli (saudades amiga). Então nos tornamos adultos, mais secos, menos sonhadores, mais exigentes, mais frescos até, com mais responsabilidades e com menos sorrisos estampados. O aniversário já não parece algo que se conte os dias para chegar nem tampouco que se divulgue. O passar dos anos é aceito não como dádiva mas como algo que independente do que você faça vai acontecer. Não tenho seguidores, nem leitores, meus amigos do orkut na verdade são contatos distantes, minha agenda está repleta de contatos profissionais e meu msn não tem ninguém on line pra eu conversar agora. A Allyne está bem ocupada com o namorado e as coisas dela, a Chris está noiva e também está bem ocupada. E acho que só não enlouqueci por conta delas, porque mesmo com tudo acontecendo elas sempre encontram tempo pra mim. Ganhei um vestido amarelo da minha mãe, minha cor preferida, mas parece que a tristeza está tão grande que o vivaz desta cor soa incoerente com meu espírito. Hoje eu corri bastante com meu samurai, cantei sozinha no carro - não, ainda não tenho som, preciso providenciar isso. Reparei muitas pessoas na hora do almoço no shopping. Vi um beijo, um colega tocou meu braço e eu não sei se por tensão ou carência arrepiei inteira. Preciso ir pra uma trilha, esquecer tudo. Solidão...tenho pavor desta palavra. Cheguei em casa e minha mãe brigou comigo porque esqueci o TCC dela, mas estou tão triste que nem me dei ao trabalho de responder, achar ruim ou algo do gênero. Meu pai me ligou, como sempre, e disse pra eu deixar o celular ligado e com bateria - como sempre pra ligar e cantar parabéns rss eu tinha até me esquecido que amanhã é o grande dia. São 26 anos...e vai ser um dia normal, cansativo. Começa com uma reunião importantíssima no shopping, depois produção de fotos no estúdio, aí vem meu primeiro dia de terapia com abordagem gestáltica, depois minha sessão retomada com a fonoaudióloga. Depois, cama. Só quero dormir e esquecer desse mundo maldito, sem amor e que me tem custado muito. Muito suor, muitas lágrimas, muito sangue. Muita luta, muitas perdas, mas muitas oportunidades também, maturidade, crescimento. Só que estou cansada dessa vida de crescer, quero ser criança um pouco. Voltar a ter uma espontaneidade pura, com menos preocupações com dinheiro e com coisas materiais. Estou cansada de ser a menina inteligente, bonita e responsável que nunca arruma namorado. Estou cansada dos rompantes que esse TDAH me condiciona...essa baixa autoestima, essa falta de realização de projetos, essa falta de amor-próprio até. Mas amanhã é um outro dia, quem sabe eu não ganhe na loteria? beijos, queijos e vinhos aos carentes, solteiros, perdidos e tristes como eu. Ah! Acabei de perceber: acabou de passar da meia-noite, hoje é meu aniversário. Parabéns pra mim.
domingo, 21 de março de 2010
Uma ilha em um turbilhão
Hoje eu acordei com a Síndrome do Vou Mudar Agora Mesmo. Tá, já fiz isso outras vezes, mas talvez por eu entender um pouco mais de TDAH e entender que eu tenho um problema e preciso saber lidar com ele, talvez então desta vez seja diferente. Me sinto como se tivesse naquela DR entre um casal que se separa várias vezes e certo dia diz "Agora é pra valer". Engraçado que esquecem de pensar "Agora é pra sempre" quando retornam. Enfim, estou aqui pra falar de TDAH e não de casamentos. De repente eu olhei em volta e percebi que toda a minha vida está desorganizada, a começar pelo meu quarto, tem também os meus papéis jogados sem identificação, livros que comprei e não li, várias tarefas incompletas e vários planos que foram simplesmente abandonados. Percebi que estou passando mais tempo do que deveria no trabalho e estou levando mais tempo para finalizar algumas tarefas, além de esquecer várias outras. Já senti meu estômago embrulhando quando meu chefe pediu um contrato e eu não sabia onde estava, quando disse que mandei e-mail ao fornecedor e simplesmente não o encontrava na caixa de recebidos e arquivados, pior: quando fui apresentar uma campanha e minhas ideias não tinham uma sequência lógica. Ele não disse nada, mas sei que no fundo, ele não entendeu aqueles slides que só teriam lógica pra quem tem uma mente desordenada como a minha. Por mim, faria toda a minha vida em mapas mentais, de diferentes cores, fontes, tamanhos, engraçados e até um pouco infantis. E por falar em infantil, percebi que tenho 15 dias pra entregar meu TCC e 8 livros que não li uma página sequer para fazer o embasamento teórico. Resolvi mostrar que a Criatividade tem sua origem no mundo infantil e que se uma empresa seguir esta linha de pensamento e pesquisar o que as crianças gostam e como pensam terão os pontos necessários para fomenatar a Criatividade no ambiente de trabalho. A empresa do meu estudo de caso? Google, é claro. Percebi também que deixei de fazer coisas que eu sei que são absolutamente necessárias para minha vida: as consultas psiquiátircas, a terapia (estou pensando em mudar a linha EMDR para a Cognitivo-comportamental ou Psicodrama, acho que terei mais resultados), o inglês, a dança, Yoga. Também abandonei literalmente e há muito tempo o melhor de mim e que alimenta a minha alma e o lado direito do meu cérebro: a arte, a música, a literatura. É o meu tripé preferido e que me deixa em estado de êxtase, que me faz chorar de emoção. Tá, e como percebo isso? Meu corpo, minha mente e meu dia-a-dia enviam sinais: estou me perdendo no meio das conversas, não consigo gravar o que me foi passado por telefone, estou interrompendo mais, meu cabelo está caindo, apareceram manchas roxas no corpo, não estou lembrando os nomes das pessoas com quem trabalho, estou tendo que anotar a tarefa mais boba possível como ligar para alguém (mesmo que esse alguém seja importante ou tenha importância para mim), estou mais triste, mais afastada das pessoas, tive uma briga em que fui agressiva com a equipe, atropelei um motoqueiro, bati em um carro, paguei várias multas por ter esquecido de pagar as contas, engordei quase 10 quilos, estou usando bolsas maiores carregando tudo o que possa ser esquecido, meu outro chefe está me processando administrativamente por comportamento ruim/inadequado, minha mãe chegou e disse "Você precisa tomar seu remédio". Além disso, sinceramente, não sei como consegui bagunçar o meu quarto a ponto de deixá-lo como está - é absurdo, descabido. Minha mãe sempre me diz que o quarto representa o estado interior da pessoa, a bolsa também. Ela diz "Se o seu meio está bagunçado é porque você está bagunçada por dentro". Então eu choro porque me sinto frustrada, como pode essa doença acabar com os meus dias e os meus planos desta forma? Como pode tomar conta do meu juízo, do meu humor e da minha motivação para fazer as coisas? Tem o TDAH esse poder? E mesmo que tenha, é justo? Não, não, não. E eu não vou perder de novo, não vou ser despedida, não vou me ver perdendo o namorado para outra, não vou deixar minha bolsa para trás, não vou me deixar levar por essa avalanche! Estou cansada, estou dormindo mais do que devia e não tenho tempo para me autoanalisar. Fui ler alguns papéis, todos incompletos, a respeito de mim mesma. Quem sou? O que quero mudar? Que ações preciso desenvolver para chegar a estes objetivos? Todos incompletos. Talvez por isso eu nunca tenha de fato me colocado à prova para seguir algo estruturado. Por uma questão óbvia: que DDAH gosta de regras, sistemas lineares, prazos e metas quantificadas? Preciso aprender a dominar meu cérebro antes que ele me domine. E aprender a lidar e controlar cada efeito colateral desta doença para que ela não mine minha vida. Hoje eu decreto que meus planos serão realizados! Não quero me sentir fraca e incapaz. Não quero chorar debaixo do meu edredom, me esconder por trás da porta trancada do banheiro ou descontar agressivamente em pessoas que nada tem a ver com os meus problemas. Hoje sou uma executiva, estou no meu melhor momento profissional e não posso deixar ser vencida assim. Eu desafio o TDAH, vou mostrar que minha força de vontade é muito maior que as minhas limitações e que eu vou vencer esta queda de braço. Não quero mais, nunca mais, me sentir uma ilha em meio a um turbilhão. Nem que eu tenha que fazer um tratado para me lembrar todos os dias deste desafio e comece cada dia dizendo "Só por hoje eu prometo..." tornando isso um lema, uma oração, a ser repetida e repetida e repetida. Ao final do dia vou reforçar igual o pessoal do AA faz "Mais 24h", só que o meu será "Mais 24h desafiando o TDAH". Acho que essa raiva que estou sentindo vai me alimentar de forma positiva para que eu leve isto à frente. Então eu poderei postar aqui os resultados de uma atitude que todos nós DDAH's devemos ter - coerência e paciência, devemos saber cultivar. Boa noite a todos...
terça-feira, 9 de março de 2010
Mulheres Poderosas Também Choram
É assim mesmo, título iniciando com letras maiúsculas, como se essas letras pudessem transmitir um pouco da raiva e da dor desses dias. Tem horas que definitivamente essa vida de mulher moderna e independente cansa. Assim como também acho que teria a mesma sensação se tivesse vida de Amélia, pensaria "Ah, se eu fosse uma executiva...". A verdade é que nunca estamos contentes, mas desta vez tive bons motivos. Conheci um cara bacana, parecia uma réplica de mim mesma, mas com atrativos masculinos. E uma mulher depois que passa dos 25 ao achar um cara bacana, não tem jeito: se encanta mesmo. Apaixona. E claro, se desencanta logo depois. Porque príncipes de verdade começam sapos e não o contrário. Acredito muito nisso, no Amor construído, mas o que fazer com a minha hiperatividade? Tenho pressa. Ah, o rapaz...então, inteligentíssimo, charmoso, lindo de viver, trabalho legal, carro idem, conversa culta, do tipo que fala "toalete" ao invés de "banheiro", que espera você iniciar a refeição, bem-humorado, sorriso fácil, boca rosadae todos olham e pensam "Oh!". Então o que é que qualquer mulher no meu lugar pensaria? "Seguraaaaaaaaaaaaaaaa!". Pois é...acho que meu pensamento foi tão forte, mas tão forte, que sufocou o principezinho e ele simplesmente desapareceu. Assim, do nada. Sem pedir licença, sem inventar as desculpas típicas de homem depois que passa dos 30 "estou sem tempo" ou "preciso de um tempo". Desligou o celular, não respondeu e-mail, não deixou rastros nem motivos. Somente dúvidas. E eu tinha acabado de contar ao meu chefe e ao meu pai, porque achei que finalmente havia "encontrado o cara". Olhei para o espelho, dei uns tapas em mim mesma, pedi pra Deus tirar a raiva do meu coração, xinguei, agi feito criança e chorei embaixo do meu edredom. Exatamente nessa ordem. Tentei contato, dei uma de compreensiva, depois uma de neurótica. E nada. Nenhuma palavra. Tem gente que ainda acha que traição mata, mas não acho. Ao menos você tem um motivo e diz "ele me traiu" ou então o que mais acontece "voltou com a ex". Agora quando o cara te larga do nada, o que você diz? Nada também, fica muda, e fica um vazio avassalador dentro de você, uma sensação de culpa e ao mesmo tempo de desapontamento por não ter percebido que príncipe quando vem embalado de príncipe, na verdade, é um sapo. Encanto se quebra, Amor não. E sinceramente? Já passei da fase do encanto, quero alguém pra amar de verdade, beijar com vontade e não ter medo algum. Agora estou aqui arrependida de ter dito tantas bobagens por meios virtuais e não ter tido nenhum feedback. É como ir a uma reunião com cliente, conversar à beça, ficar empolgado, sair achando que fez a melhor negociação e o contrato não vem. Estranho...bem estranho. Denominei tal atitude de todos os nomes de baixo calão e depois simplesmente ri e pensei "já passei por isso tantas vezes, no final das contas é só mais um" e por incrível que pareça estou fazendo campanha de oração pra ele com jejum de chocolate no mês da Páscoa! É um absurdo, só eu mesmo...E pensar que nunca fiz isso pra ninguém, mas preciso, pra ficar em paz comigo mesma. Agora eu entendo quando minha mãe diz que eu peco pela inteligência e que vou acabar só. Homens admiram mulheres poderosas, mas as temem. Preferem ficar com as Amélias e vê-las em casa depois das 18h00 a vê-las em alguma capa de revista falando sobre negócios. Mas essas mulheres, acreditem, choram mais que as Amélias e se sentem sós, têm ânsia de compartilhar algo além da matéria, das infindáveis reuniões de negócios, dos números e das análises de mercado. Pensar que ontem foi o Dia Internacional da Mulher e que ao invés de flores, ganhei algumas planilhas para brincar. Comprei um jipe, e este eu posso chamar de "meu". Lindo, alto, robusto, me leva pra todo lugar, faz brilhar meus olhos, acelerar meu coração e está sempre por perto me aguardando. Beijo mesmo, sem vergonha de ser feliz. Ainda por cima vou com ele acampar e fazer trilha. Quer companhia melhor? Ele nunca passa despercebido, não é incoerente, muito menos indiferente. Às vezes ele rosna, mas aí eu viro Amélia e deixo ele mandar em mim. Sim, estou apaixonada.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Quantos parafusos você tem?
Sempre ouvimos histórias de pessoas que parecem ter um parafuso a menos, mas no meu caso acho que tenho um parafuso a mais. Porque nada que não é intenso e complexo me fascina. É como se tivesse dentro de mim uma busca constante pela novidade, por desafios, por alguma atividade que encha meu corpo de adrenalina. Sempre fui assim, mesmo que muitas vezes nem eu mesma tenha me dado conta. Como tudo na vida essa coisa de ter TDAH tem o lado bom e o lado ruim, mas entre nós, o lado ruim complica bastante diferentes áreas da nossa vida. Fico puta de raiva quando vejo o quanto esse transtorno caiu na mediocridade (virou moda) e fico mais puta ainda quando vem um engraçadinho metido a artista dizendo que tem orgulho de ser DDAH. Balela. Quem tem de verdade vive numa montanha russa e daí o motivo de alguns psiquiatras ficarem em dúvida quanto ao diagnóstico e colocarem "Transtorno Bipolar". Por Deus, somos hiperativos, compulsivos, desorganizados, intuitivos, criativos, inteligentes e apaixonantes. A explicação é simples: imagine um cérebro que não para (daí também confundirem com SPA - Síndrome do Pensamento Acelerado), que faz muito mais conexões do que um cérebro comum, que tem uma hiper-atividade no lobo emocional e que por isso tem características peculiares que facilitam a comunicação e identificação com o mundo da arte. Agora imagine um cérebro hipo-ativo na área da lógica, que não consegue fazer análises simples se tiver que agrupar informações de forma sistemática, que tem uma falta de senso de direção, espaço (em tempo: os DDAHs são comprovadamente um risco no trânsito) e organização. Então se você já iniciou vários projetos sem concluir, seu quarto vive bagunçado, trocou de emprego ou namorado várias vezes por ter perdido o tesão do nada, se o seu estilo é aventureiro, você está sempre perdendo as coisas e se perdendo nos lugares (procurando seu carro estacionado em algum lugar que você não sabe nem o rumo), se você interrompe sempre as pessoas ou esquece constantemente o que iria falar, até mesmo precisa reler um livro pelo menos três vezes porque não consegue se concentrar / ter atenção naquilo e esquece assim que acaba de ler, e aprendeu fórmulas de matemática cantando porque nunca entendeu bem a lógica da matemática, se na hora de escolher entre um picolé de morango ou chocolate você ficou na dúvida e acabou levando os dois ou nenhum, se odeia rotina e sempre chega atrasado, bem-vindo ao clube. Você é um forte candidato a um hiperativo ou no mínimo alguém que tem Déficit de Atenção. Notícia ruim: é igual diabetes, não tem cura. Notícia boa: é igual diabetes, tem como controlar, mesmo se a glicose subir. Ou seja: mesmo que você tenha crises, confie em Deus acima de tudo e encontre seu melhor tratamento. Hoje a tríade psiquiatra-psicoterapeuta-boa vontade é a que mais funciona. Você vai se entender a cada dia mais, vai saber diferenciar Ritalina de Ritalina La e Brupropriona, a diferença entre as linhas terápicas psicodrama, psicanálise e cognitivo-comportamental, também vai acabar em alguma livraria comprando algo como Mentes Inquietas, Meu amigo TDAH, além de outros contendo exercícios cerebrais para melhorar atenção-concentração-memória, a tríade que é o grande mal de todo DDA ou DDAH. Acredite: ter um transtorno alimenta a alma de uma vontade muito superior à média de superação. Cada recado anotado, cada vez que você espera o ônibus sem roer as unhas, cada vez que você olha dentro dos olhos da pessoa e consegue manter uma conversa ou segurar o impulso de interromper a conversa, é um desafio a mais. Uma vitória a mais. A sensação é a mesma daquelas terapias de grupo de AA em que se diz "Mais 24 horas" e a luta será sempre diária. Às vezes se consegue e muitas vezes não. Então é pensar na Diabetes "Como posso controlar e amenizar os efeitos colaterais?". As pessoas não vão entender seu cérebro, porque definitivamente, ele é diferente! Especial. Muito menos queira colocar todas as suas frustrações e decepções no problema. Jamais permita que alguém diga "é porque fulano tem problema, faz até tratamento" como se fosse algo perigoso, contagioso ou que requer certo cuidado. Grandes gênios da humanidade tiveram o mesmo "problema": Einstein, Van Gogh, Leonardo da Vinci, até mesmo Michael Phelps! E o que é que a professora dele tinha dito tempos antes? "Este menino não vai ser ninguém"...Então, levante a cabeça e foque no que você é bom, não perca tempo com minúcias que te tiram tempo, paciência e o humor. Quero compartilhar minhas histórias com vocês e gostaria que vocês fizessem o mesmo, este é um canal aberto e livre a todos os hiperativos que se sentem perdidos no mundo, como se fossem pontos amarelos em oceanos azuis. Unidos somos mais fortes. Unidos podemos muito mais, podemos tudo. Conto com vocês. Aliás, todos os que tiverem algum transtorno seja por ter um parafuso a menos, seja a mais, por favor: botem a boca no trombone. Se você não tem, mas quer entender quem tem, minha dica é: paciência meu amigo, muitaaaaaaaaa paciência. Compensa no final. Em tempo: perdi meu óculos pela 5ª vez, se alguém encontrar por aí em algum canto abandonado, por favor, devolva. Obrigada.
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